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Suave, grave e feminina: a nova voz do pop-rock brasileiro

  • 10 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura

Flávia em ensaio fotográfico para o lançamento de seu EP | Reprodução/Internet


O atual cenário da música brasileira vivencia um intenso período de transformações. Vozes de uma nova geração de mulheres mostram cada vez mais potencial. Se há décadas muitas delas acabavam dançando conforme o ritmo de músicas masculinas, hoje, seja no samba, no sertanejo ou no pop, as mulheres conquistam palcos físicos e digitais, cantando e também compondo as próprias canções. Flávia Felício tem apenas 25 anos, mas já se encaixa nesse grupo: a cantora é uma das novas vozes do pop rock nacional.


Apesar de ser formada em Publicidade e Propaganda, a verdadeira paixão de Flávia é a música. Paulistana de berço, a cantora já tem um EP gravado, o “Do Ré Mi Flá” – produzido por dois integrantes da banda Supercombo – e um clipe que atingiu mais de 11 mil visualizações em seu canal no Youtube, com a canção “Neura”. “O ‘Do Ré Mi Flá’ é um retrato da minha visão do cotidiano e do comportamento das pessoas, manias, neuras e crises existenciais. Além de falar de assuntos que estão presentes em nossa vida, como desmatamento, aquecimento global e corrupção política”, revela.


A intenção do álbum, que apresenta também influências do folk e do indie, é mostrar um pouco da personalidade, conceitos e formas de pensar da cantora. Uma das canções, intitulada "HAHAHA", coloca em evidência o lado crítico de Flávia e fala sobre a corrupção, em especial a corrupção política do Brasil. "O título é uma risada irônica. Essa risada representa o disfarce, uma tentativa de esconder a verdade, um riso de deboche e ao mesmo tempo um grito de desespero por tudo que está acontecendo diante os nossos olhos", comenta.


Durante sua trajetória no mundo da música, Flávia fez parte de inúmeros projetos e bandas que nunca saíram do papel e duraram apenas alguns meses. Segundo a cantora, o mais difícil era encontrar pessoas com a mesma vontade de fazer os planos acontecerem. A publicitária relata que, na época, ficou muito desanimada e chegou até mesmo a pensar em desistir. “Tudo mudou em uma viagem que eu fiz, na qual levei meu violão e comecei escrever a música ‘Janeiro’. Foi exatamente naquele momento que tudo ficou claro! A música fala exatamente dessa fase decisiva que passei e foi com ela que me encontrei e decidi começar um projeto solo”, confessa.

Vídeoclipe da música Neura

De Elis à Rita Lee e Amy Winehouse. Do nacional ao estrangeiro. Do clássico da MPB às origens do rock brasileiro até chegar ao jazz britânico. As referências de Flávia na música se diferenciam na origem e nos conceitos, mas se assemelham em um mesmo aspecto. Mulheres. São todas mulheres. Grandes nomes da música mundial, que enfrentaram a hegemonia masculina nesse universo e foram muito além dos rótulos impostos às mulheres em uma sociedade originalmente patriarcal.


“‘Ah, é música de menina’, ‘você deveria usar roupas mais femininas e sensuais nos shows já que é mulher’, ‘acho melhor você chamar um menino pra tocar com você, porque vai ser difícil encontrar uma menina que toque bem’”, lembrou Flávia de algumas das inúmeras frases que já teve que ouvir e ainda ouve durante sua trajetória no mundo da música. Segundo a cantora, comentários como esses são feitos em tom sereno e pacífico por muitas pessoas ao seu redor, como se fossem algo normal. “Muitas vezes, por ser uma situação comum à nossa cultura, esse tipo de pensamento acaba até mesmo passando despercebido. Isso não pode acontecer”, enfatiza.


Criada na era digital, Flávia não economiza elogios a esta nova fase da música, marcada pela distribuição em massa das canções, facilitada pelo surgimento da internet. Antes mesmo de lançar seu álbum, que está disponível nas principais plataformas de streaming, ela já postava covers em seu canal do YouTube. "A internet tem um alcance que facilita o acesso do público com o artista em qualquer lugar. Vejo a internet como uma porta que pode nos levar para qualquer lugar do mundo. É até louco pensar nisso porque é uma dimensão muito grande!", exclama.


A compositora, que sonha em um dia gravar uma música com o cantor Tiago Iorc, já participou de festivais e saraus e fez a abertura do show de inúmeras bandas. No dia 3 de junho, realizará seu primeiro show solo, para o lançamento do EP "Do Ré Mi Flá", no Jai Club, em São Paulo. Ainda em 2017, ela pretende lançar um novo clipe – dessa vez da música “Suas manias” – além de gravar mais um single com uma participação especial. "Continuarei compondo novas canções para o próximo álbum e gravando vídeos caseiros de covers para postar no canal”, garante.

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 Editorial

Quase sempre, quem escreve a história são os vencedores e conquistadores, já dizia Nehru, primeiro Primeiro Ministro da Índia. Qual o espaço das periferias e minorias na história do mundo? Quem não está no centro, aqueles que, como diria Machado de Assis, não ganhou as batatas, perece nas margens do tempo.

Mas a cultura popular não só existe, como resiste. Com seus saraus, feiras, comidas e músicas, o povo continua fazendo sua cultura. Em tempos de um senado considerando a criminalização do funk, faz-se muito necessário a recordação e apreciação da história dos marginais, dos heróis ocultos de nossa sociedade. Esta edição da revista digital Janelas do Olhar mergulha em uma atmosfera de resgate e exaltação à memória das expressões de cultura popular, por vezes excluídos do meio hegemônico. 

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